Museu de máquinas de costura em Santa Catarina

Funciona no centro da cidade de Concórdia, no estado de Santa Catarina, o Museu Angelo Spricigo, um espaço temático que abriga, atualmente, 1.714 máquinas de costura usadas por alfaiates e costureiras em cidades, vilas e povoados do país.

O museu foi criado em 1997, quando Angelo Spricigo tinha 82 anos de idade. Ele faleceu em agosto de 2020, com 105 anos.
Distribuídas em 220 marcas, catalogadas, essas máquinas, algumas domésticas, manuais e eletrificadas, outras industriais, foram fabricadas em países diversos, entre os quais Brasil, Alemanha, Chile, China, Espanha, Estados Unidos da América, Hungria, Inglaterra, Itália, Japão, Suíça, Tchecoslováquia.
Localizado no porão do número 346 da rua Romano Anselmo Fontana, em Concórdia (SC), o museu está aberto à visitação pública, de segunda a sexta-feira, das 14 às 18 horas, exceto feriados.

Veja aqui o Museu Angelo Spricigo

A arte de unir partes de uma peça

Costurar, como define o dicionário, é trabalhar com a costura, dominar a arte de unir partes de uma peça, especialmente do vestuário. E esse procedimento, que acompanha o homem desde que ele aprendeu a dar pontos com agulha e linha, modernizou-se ao longo dos anos.

No começo, o homem costurava pele de animais e folhas, na feitura de artefatos para com eles sobreviver às intempéries. Se no início esse cuidado buscava a proteção do sol, da chuva, do vento, passou depois a visar, também, a moral, a proteção dos costumes.

No Brasil, homens e mulheres destacam-se na arte do corte e costura, nas figuras do alfaiate e da costureira. A mulher com maior participação; desde o período colonial, quando a atividade era manual, e já na fase industrial, haja vista a maciça presença feminina nas fábricas de confecções.

O Censo de 1950 registrou, em 51. 944. 397 de pessoas, 257.804 profissionais do corte e costura, dos quais 175.911 do sexo feminino e 81.893 do sexo masculino. No mesmo censo foram registrados 169.695 professores, sendo 140.52 mulheres e 29.170 homens.

Presença do imigrante árabe

Quando, em 1957, o casal egípcio Maurice Chidiac e Samira Labib Chidiac chegou de muda para o Brasil, com dois filhos a tiracolo, esses números estavam em declínio. Tanto que em 1960 as costureiras diminuíram para 36.482 em todo o país e os alfaiates para 11.939 profissionais.

Residindo no bairro da Cidade Ademar, na capital paulistana, dona Samira aprendeu fez cursos de corte e costura ali mesmo.

Ao tempo em que diminuía o número de costureiras e de alfaiates no país, aumentava população, e isso importava em mais trabalho para esses profissionais. A cidade de São Paulo, por exemplo, pulou de 2.198.096 habitantes em 1950 para 3.825.351, em 1960.

Dona Samira experimentou essa mudança, pois iniciou seus trabalhos em um pequeno quarto, nos fundos da sua casa, confeccionando roupas íntimas femininas, que eram vendidas na feira livre do bairro. E logo veio o aumento da demanda, e dona Samira passou a costurar para outros segmentos.

Empreendedora, dona Samira abriu a única loja de vestidos de noiva e moda festa da zona sul de São Paulo, tornando-se uma comerciante conhecida e procurada na cidade. Contam familiares de dona Samira que a localização da sua loja, nas proximidades das linhas de ônibus circulares, passou a ser ponto de referência: “Vai descer perto da loja da dona Samira!”.

Samira Chidiac faleceu em 16 de janeiro de 2013, quando iria completar 79 anos de idade, dizendo-se feliz com tudo que conquistou com o comércio de suas costuras, e por haver criado seus cinco filhos. O ofício de costureira ainda lhe rendeu alguns bens, os quais sua família usufrui até hoje.

Ao doar duas máquinas ao Museu Angelo Spricigo, a família de dona Samira procura manter sua memória viva e, também, exemplificar “o quão aguerrido é o imigrante árabe”, como acentuam familiares.

As máquinas

As unidades doadas pela família dona Samira ao Museu Angelo Spricigo são uma Adler e uma Union Special. A primeira, da empresa Koch & Co., fundada em 1861, na cidade alemã de Bielefeld, e que, em 1901, com a aceitação mundial da Adler, passou para Kochs Adler AG.
A outra é da Union Special Machine Company, fabricante de máquinas de costura industrial dos Estados Unidos, fundada em 1881. A unidade doada foi fabricadas na cidade alemã de Stuttgart, onde a Union Special tinha uma fábrica, na primeira metade do século XIX.

As máquinas Adler e Union Special, em fotos cedidas pelo museu.

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