Poemas, sonhos e sinceridade de um estudante de Jornalismo

Eu cursava o segundo ano de Jornalismo da Escola de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA) quando um grupo de estudantes universitários, secundaristas e vestibulandos fundou, em Salvador, o Centro Estudantil de Guanambi (CEG), precisamente a 25 de maio de 1975.

Integrei esse grupo, e minha participação se dera desde as primeiras reuniões, ao longo de 1974, quando já me encontrava dentro do Movimento Estudantil, o ME (pronuncia-se eme é), com atuação na Comissão de Imprensa do Diretório Central dos Estudantes (DCE).

À época eu fazia meus primeiros poemas, primeiras poesias, a maior parte sob influência das ideias revolucionários de liberdade e de defesa dos direitos humanos pensadas pelo ME. Ideias das quais jamais me distanciei e que jamais deixei de defender.

O CEG, além de posto de resistência ao regime militar que se instalara no Brasil em 1964 e de um centro de estudos e debates importante para minha formação política, moral e filosófica, ofereceu-me subsídios culturais positivos.

É possível que se veja de forma diferente, pois é do Direito que haja o contraditório, dado que um fato não é único ou indivisível na história, mas continuo a entender que houve uma ditadura militar no País entre 1º de abril de 1964 e 15 de março de 1985.

Ainda estudante de Jornalismo, pois concluiria o curso no final de 1978, e repórter estagiário do jornal A Tarde, na ocasião o maior jornal do Norte e Nordeste – e permaneceu nessa posição por muitos anos –, escrevi textos noticiosos para jornais estudantis afinados com a luta política do ME.

Enquanto isso, submetia meus poemas ao poeta Damário Dacruz, colega de sala de aula durante os quatro anos do curso de Comunicação. A um e outro ele fazia observações positivas, mas para a maioria tinha um riso maroto e dizia-me, se ainda lembro:

– Donato, prefira o universal e escreva com sinceridade; poesia intimista é bonita, mas não carrega a lança, além de mais difícil de escrever. E o importante é que não precise explicar seu poema, que ele seja absorvido por qualquer um em qualquer lugar.

Certa ocasião emprestou-me Cartas a um jovem poeta, do tcheco Rainer Maria Rilke (1875-1926), indicando um trecho de uma das cartas enviadas a um jovem que desejava tornar-se poeta e pedia conselhos ao escritor da língua alemã.

É certo que li as 10 cartas de Rilke, como também é certo que volta e meia estou a ler, isso após desistir de ser poeta.

Trago aqui, do período em que estive militando no Movimento Estudantil, 10 poemas que escrevi. Não saberia dizer se são os menos piores ou os mais inexpressivos; sei que são sinceros, pois traduzem sonhos à época em que foram escritos e dos quais não me afastei.

Pode vê-los aqui, se for do seu agrado.

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