“A moto sem cabeça”

Ele disse que não queria dar declaração a mais ninguém e que desejava ficar sozinho, esquecer-se de tudo que acontecera. Que todos deveriam sair da sala e não mais procurá-lo, pois nada mais teria para relatar – tudo fora minuciosamente contado, para surpresa dele, que não costumava conversar tanto assim, com detalhe; que todos saíssem – estava cansado daquelas perguntas, incomodado com aquela gente ao seu redor. Naquela sala pequena, seu local de trabalho, de segunda a sexta-feira, analisava montes de papéis; assinando, carimbando e grampeando documentos, retirando grampos e dando atestação e pareceres. Precisava ficar só – para apagar tudo.

Colocar todos para fora da sala fora fácil, mas esquecer do que ocorrera há cerca de oito horas não estava sendo fácil. Tudo por culpa de um repórter de rádio que assistira a uma ação sua, de salvar um garoto de três anos de ser atropelado por uma moto, pouco depois das 7 horas, quando se dirigia para o trabalho. Nem mesmo sabia como ocorrera tudo, como conseguira vencer o peso dos seus 39 anos sedentários, puxar o garoto para seus braços e rolar com ele pelo asfalto, evitando que ela fosse colhida pela máquina…

Mais, você continua aqui, acessando o texto completo em PDF.

Esta foi a primeira crônica publicada do jornalista Ari Donato.
Saiu na edição de 8 de janeiro de 1986 do jornal A Tarde, na coluna Ultraleve, espaço que reunia colaboradores do jornal, a exemplo de José Augusto Berbert de Castro, Oleone Coelho Fontes e outros.

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